Crise no gol em 2007, estabilidade em 2017 e novos questionamentos em 2026: o Botafogo volta ao mercado em busca de segurança para defender a meta alvinegra.

“Quem não conhece a sua história está condenado a repeti-la.”
A frase frequentemente atribuída a Pablo Escobar tem, na verdade, origem mais reconhecida no filósofo George Santayana.
O ano era 2007. Assim como em 2026, o Botafogo de Futebol e Regatas passava por uma crise entre os goleiros. O clube tinha um excelente ataque comandado por Dodô, o “artilheiro dos gols bonitos”. Porém, quem guardava — ou deveria guardar — a meta alvinegra eram os goleiros Max, Lopes, Júlio César, Marcos Leandro e Roger.
Eles se revezavam e acumulavam insucessos com a camisa do Glorioso, que já teve em seu passado grandes nomes da posição, como Manga, Zé Carlos, Paulo Sérgio, Ricardo Cruz e Wagner.
Os arqueiros de 2007 causaram grandes prejuízos ao Botafogo. Títulos escorreram pelas mãos daqueles que foram conhecidos pela torcida como o “paredão falso”, em alusão ao programa Big Brother Brasil, no qual o participante aparentemente eliminado era conduzido a um quarto secreto, acompanhava as conversas da casa e retornava ao jogo na semana seguinte.
Naquele ano, o Botafogo disputou várias competições. No Campeonato Carioca, teve campanha de destaque ao conquistar a Taça Rio após vencer o Madureira Esporte Clube. Na final geral do estadual, enfrentou o Clube de Regatas do Flamengo e terminou como vice-campeão após decisão por pênaltis.
Na Copa do Brasil, o time chegou às semifinais, sendo eliminado pelo Figueirense Futebol Clube. O confronto ficou marcado por polêmicas envolvendo a assistente Ana Paula Oliveira, além de um erro decisivo do goleiro Júlio César. Mesmo vencendo por 3 a 1 no Rio, o Botafogo acabou eliminado em casa, já que havia perdido por 2 a 0 em Santa Catarina e o critério da época valorizava o gol fora de casa.
No Campeonato Brasileiro Série A, o clube terminou em 9º lugar, com 55 pontos.
Já na Copa Sul-Americana, o Botafogo foi eliminado nas oitavas de final pelo River Plate. O time venceu por 1 a 0 no Rio, mas sofreu a virada na Argentina, com falhas marcantes do goleiro Max.
Dez anos depois, o cenário era outro. O Botafogo encontrou estabilidade no gol com Jefferson e Gatito Fernández. Os dois se revezavam nas balizas e transmitiam segurança. Entre a torcida, a famosa foto dos goleiros passou a ser conhecida como “tanto faz”: qualquer um que vestisse as luvas representava bem o Glorioso.
Chegou 2026. A frase que parece definir o momento é conhecida: “tempos difíceis criam homens fortes”. Os cinco goleiros de 2007, de certa forma, abriram caminho para os goleiros de 2017. Homens fortes criam tempos fáceis, e essa geração pavimentou o caminho para nomes como Lucas Perri e John. Mas homens fracos também podem criar tempos difíceis, como tem visto a torcida com o trio Neto, Léo Linck e Raul.
Neto chegou ao Botafogo no ano passado para suprir a saída de John, vendido ao Nottingham Forest. Logo em sua chegada, enfrentou o Club de Regatas Vasco da Gama pela Copa do Brasil e sofreu um gol em uma bola de pouca velocidade cobrada por Philippe Coutinho. A partida foi para os pênaltis, e o goleiro não conseguiu defender nenhuma cobrança.
Na memória do torcedor voltaram as lembranças de Jefferson defendendo pênalti de Lionel Messi, então considerado o melhor do mundo, e de Gatito, que defendeu três penalidades no Estadio Defensores del Chaco, garantindo a classificação do Botafogo para a fase de grupos da Copa Libertadores da América de 2017.
O goleiro Raul também ficou marcado negativamente. Em uma partida da Copa do Brasil contra o Capital Clube de Futebol, o Botafogo havia vencido o primeiro jogo por 4 a 0 e decidiu escalar uma equipe alternativa na volta. Léo Linck começou como titular, mas se machucou em um lance infeliz e deu lugar a Raul, que sofreu um gol do meio-campo.
Já Léo Linck, nesta temporada, falhou em jogos da pré-Libertadores contra o Barcelona Sporting Club, no Equador e no Rio de Janeiro. Com resultados de 1 a 1 e 0 a 1, o time equatoriano avançou para a fase de grupos, enquanto o Botafogo passou a disputar novamente a Copa Sul-Americana, competição que não jogava desde 2023. O Glorioso também possui o título da antiga Copa CONMEBOL, torneio que à época tinha peso semelhante ao da atual segunda competição mais importante do continente.
Com o acúmulo de prejuízos, em grande parte causados pelos goleiros, o Botafogo foi obrigado a ir ao mercado. Com a janela internacional fechada, o clube passou a buscar nomes no mercado nacional.
Entre os especulados estão Jordi, destaque do Grêmio Novorizontino; porém é conhecido por constantes falhas na época de Vasco da Gama; Tadeu, do Goiás Esporte Clube, tem negócios pessoais em Goias dificilmente viria para o Rio de Janeiro; Tiago Volpi, do Red Bull Bragantino; salário alto é o impedimento Matheus Magalhães, do Sporting Clube de Braga Clube cobra os pagamentos na negociação com o treinador Artur Jorge; Matheus Albino, do Clube de Regatas Brasil, clube alagoano pede garantias; Gabriel Vasconcelos, do Esporte Clube Vitória, seria mais uma aposta e João Paulo, do Santos Futebol Clube, o clube Paulista descarta a negociação
Outro nome cogitado foi o de Andrew, revelado na base alvinegra. O clube chegou a discutir um possível pré-contrato, mas o transfer ban impediu o avanço das negociações, e o goleiro acabou acertando com o rival Clube de Regatas do Flamengo.
A torcida agora espera que os tempos difíceis voltem a produzir homens fortes capazes de defender a meta alvinegra.
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✍️ Resenha do Bairro
Foto destaque: Goleiros do elenco do Botafogo(Reprodução: Vitor Silva/Flickr/Botafogo)




