Série da Netflix muda o consumo do esporte e cria uma geração que acompanha a F1 pelos bastidores

A Netflix, para aumentar o hype dos amantes da velocidade, lançou hoje (27) a oitava temporada da aclamada série Drive to Survive, conhecida no Brasil como “F1: Dirigir para Viver”. A série foi responsável por revitalizar o interesse dos mais jovens pela categoria mais importante do automobilismo internacional. A maior plataforma de streaming do mundo lançou uma nova tendência: a dramatização da vida real, gerando um novo modelo de consumo do esporte, que vai além do evento ao vivo e dos resultados práticos na pista.
Novos modelos de consumo
Quem diria que a Netflix, a maior empresa do seu segmento, poderia transformar o modelo de consumo de entretenimento? Quando foi lançada, a empresa precisou concorrer com a gigante do segmento de aluguel de filmes, a Blockbuster, e inovou ao enviar DVDs pelo correio, facilitando a vida do consumidor.
Logo depois, deu o passo mais importante e decisivo para o novo modelo de consumo de filmes e séries: lançou o sistema online e on demand, que praticamente extinguiu o modelo de locação de filmes físicos.
Prevendo que os grandes estúdios não queriam depender exclusivamente das plataformas de streaming, a empresa começou a criar seu próprio conteúdo, deixando de depender apenas dos estúdios de Hollywood.
Com essa revolução criativa, a Netflix também ajudou a moldar uma nova cultura de consumo esportivo. Até alguns anos atrás, o esporte era consumido em horários fixos e rígidos, até mesmo nos aplicativos de streaming. Porém, Drive to Survive criou um novo formato de consumo: a dramatização do esporte em si, criando narrativas e mostrando ao público o que acontece muito além do que vemos nas transmissões esportivas.
Teatralização da vida real
Desde a primeira temporada, a série foi um sucesso de público e crítica. Conhecemos e nos aproximamos de figuras famosas no paddock, mas até então pouco conhecidas do grande público.
Hoje, nomes como Toto Wolff, Christian Horner e Günther Steiner tornaram-se peças publicitárias tão importantes quanto os próprios pilotos. Em alguns casos, a trama principal conta diretamente com a participação dos chefes de equipe, que se transformaram em verdadeiras estrelas do espetáculo.

Foto: Toto Wolff (Mercedes), Horner (RB Racing) e Steiner (Haas) (Reprodução/Instagram)
A Fórmula 1, antes chamada de “circo” por sua itinerância, hoje se aproxima de um teatro: a performance de dirigentes e pilotos muitas vezes se assemelha à de atores de Hollywood. O resultado final de uma temporada já não é mais o único atrativo. Os bastidores mostram que muita coisa acontece entre a equipe campeã e aquela que terminou na última posição. Histórias que se desenvolvem entre o 1º e o 20º colocados conseguem prender e entreter o novo público consumidor da categoria.
Um novo fenômeno
Assim como o sistema on demand mudou para sempre a vida do consumidor, a dramatização da temporada de Fórmula 1 está alterando a maneira de se consumir o esporte.
Um fã da série me confidenciou certa vez que deixou de acompanhar a temporada da F1 em tempo real para evitar spoilers e não estragar sua experiência quando a série fosse finalmente disponibilizada pela Netflix. Isso revela uma nova tendência comportamental: fãs que preferem a teatralização e a dramatização ao esporte ao vivo. Ele complementou dizendo que as “tretas” de bastidores trazem um novo tempero e perspectiva ao espetáculo.
A jornalista Letícia Toledo, da InfoMoney, destacou em matéria publicada em 2022 que a série deu à Fórmula 1 o direito de fugir da obviedade. Logo na primeira temporada, enquanto a Mercedes-AMG Petronas Formula One Team e Lewis Hamilton dominavam a categoria, a produção apostou na trajetória de Daniel Ricciardo.

Foto: Daniel Ricciardo Red Bull Racing (Reprodução/Instagram/danielricciardo)
A série focou em aspectos pessoais e piloto australiano vivia um dilema. Para muitos, era considerado o segundo piloto da Red Bull Racing, tecnicamente abaixo de seu companheiro Max Verstappen. Ricciardo precisava escolher entre permanecer como segundo piloto ou liderar uma nova equipe. A direção da série manteve o suspense até os últimos episódios, revelando a mudança do piloto para a Renault F1 Team.
No Brasil, a repercussão também foi expressiva. Felipe Massa, ex-piloto da Scuderia Ferrari e da Williams Racing, afirmou em entrevista à Exame que a série rejuvenesceu a audiência da F1 e transformou os pilotos em verdadeiras pop stars. Segundo ele:
“Uma prima minha, de uns 18 anos, virou para mim em um casamento da família e disse: ‘Tio, impressionante, estou viciada na série da Fórmula 1. O que você acha?’. Levei o Leclerc e o Ricciardo ao meu restaurante, em São Paulo, ano passado, e estava lotado de jovens do lado de fora. Isso não era normal na F1, no automobilismo de forma geral”, relatou Massa.
Enquanto a temporada da Fórmula 1 2026 não começa, os fãs terão um aperitivo com a estreia da nova temporada da série na Netflix. A primeira prova está marcada para o dia 8 de março, no GP da Austrália, disputado no tradicional circuito de Albert Park Circuit, em Melbourne.
Foto destaque: Cartaz da Série (Divulgação: Netflix)




