
Carlo Ancelotti parece ter encontrado a fórmula que encaixa o Brasil na Copa do Mundo; o duelo eliminatório contra o Japão, no NRG Stadium em Houston, vale vaga nas oitavas e promete testar se a adaptação tática resiste frente a uma seleção asiática bem organizada.
Brasil x Japão: disputa direta por vaga nas oitavas da Copa do Mundo
O jogo entre Brasil e Japão, em 29 de junho de 2026, é um confronto eliminatório: quem vencer avança às oitavas de final e enfrenta Noruega ou Costa do Marfim. A partida no NRG Stadium, em Houston, assume caráter de mata‑matas — única chance, sem volta — e surge como o primeiro grande teste de rendimento real da seleção brasileira neste Mundial.
Por que este duelo importa
O Brasil chegou à partida com uma sequência de partidas que apontam evolução, mas também lacunas. A vitória assegura continuidade no torneio e legitima as mudanças de Carlo Ancelotti; a derrota expõe fragilidades táticas e encerra precocemente um projeto que ainda busca identidade plena. Para o Japão, que eliminou Holanda e Suécia no processo de qualificação e vem sem perder com frequência, é oportunidade histórica: avançar nas fases finais.
Ancelotti achou uma formação — e por enquanto ela funciona
Após um início incerto, com empate contra Marrocos e uma estreia longe do ideal, Ancelotti promoveu ajustes claros. A mudança mais decisiva foi a recuagem de Danilo para a lateral direita e a promoção de Matheus Cunha como falso 9, ocupando um papel híbrido entre meia e atacante.
Essa opção trouxe mais mobilidade ao ataque brasileiro, criou indecisão nas defesas adversárias e elevou a produção ofensiva. Matheus Cunha já balançou as redes e validou a aposta. O time também ganhou dinamismo com a presença de Bruno Guimarães na construção, acumulando assistências e sendo peça-chave nas trocas de passes.
Rayan e a solução para a lesão de Raphinha
A lesão de Raphinha forçou uma improvisação que acabou funcionando: o jovem Rayan entrou bem e acrescentou frescor pelo lado direito. A CBF manteve cautela ao divulgar o estado de Raphinha, mas a alternativa proposta por Ancelotti mostrou-se eficaz até aqui.
Vinicius Junior: o motor ofensivo e as implicações
Vinicius Junior é o nó central desta seleção. Livre de excessivas responsabilidades defensivas, ele tem sido a principal referência de gols e assistências, participando diretamente da maioria das finalizações brasileiras. A estratégia da equipe — alternância de posicionamento e movimentos por dentro — visa explorar o melhor de Vinicius: velocidade, drible e chegada ao gol.
Ancelotti admite que gerenciar o desgaste do atacante é essencial; quando o sistema protege Vinicius, o time ganha potência no último terço. A dependência de sua produção, porém, é uma faca de dois gumes: neutralizá‑lo seria a forma mais direta de limitar o Brasil.

Estrutura tática e escolhas no meio
A inclusão de Lucas Paquetá em um papel que fecha o lado esquerdo ao defender, mas circula livremente com a bola, elevou o equilíbrio do meio-campo. Com três homens no setor — Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá — Ancelotti busca controle posicional e opções de passe diante de blocos compactos.
Danilo, agora lateral, cumpre papel tático essencial: oferece saída limpa e recomposição quando Casemiro sobe para organizar. A amplitude e as trocas entre Cunha, Vinicius e os meias vêm sendo o motor ofensivo do time.
O Japão não é mais um adversário subestimável
Hajime Moriyasu construiu uma equipe consistente e moderna. O Japão perdeu apenas uma das últimas 16 partidas, venceu o Brasil em amistoso em Tóquio e surpreendeu a Inglaterra em Wembley. Na fase de grupos da Copa, mostrou solidez contra Holanda e Suécia e venceu a Tunísia.
Taticamente, o Japão explora organização coletiva, transições rápidas e jogadores versáteis que pressionam o portador da bola. Não chega como favorita em Houston, mas não é o azarão que muitos imaginavam. Será um teste de paciência e criatividade para a seleção brasileira, sobretudo na hora de furar linhas compactas.
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O que o Brasil precisa fazer para avançar
Controlar as jogadas no meio-campo, aproveitar os movimentos de Cunha para abrir espaços e permitir que Vinicius receba com liberdade são pré‑requisitos. Além disso, evitar perder a posse em zonas perigosas e manter concentração defensiva diante de contra‑ataques japoneses será vital.
Prováveis escalações e leitura final
Alinhamento atual do Brasil aponta para: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá; Rayan, Matheus Cunha e Vinicius Junior. No Japão: Zion Suzuki; Tomiyasu, Taniguchi e Hiroki Ito; Ritsu Doan, Tanaka, Kamada e Nakamura; Junyo Ito e Maeda; Ueda.
Ancelotti demorou a encontrar seu Brasil, mas agora exibe coerência tática e um grupo com movimentos definidos. O confronto com o Japão dirá se a formação resiste frente a uma equipe disciplinada e de transição rápida. É um confronto de estilos: criatividade e individualidade brasileira contra organização e coletivo japonês.
O que vem depois
Quem vencer, enfrenta Noruega ou Costa do Marfim nas oitavas. A vitória no NRG Stadium consolidará o trabalho de Ancelotti e dará ao Brasil impulso psicológico e tático. A derrota, por outro lado, interrompe um processo ainda em construção e levanta questões sobre dependência de peças individuais e ajustes defensivos.
Ficha técnica
Brasil x Japão — Copa do Mundo (fase de 32) Data: 29 de junho de 2026, 14h (Brasília) Local: NRG Stadium, Houston (EUA) Árbitro: Maurizio Mariani (ITA) Assistentes: Daniele Bindoni (ITA) e Alberto Tegoni (ITA)
Escalação provável — Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá; Rayan, Matheus Cunha, Vinicius Junior.
Escalação provável — Japão: Zion Suzuki; Tomiyasu, Taniguchi, Hiroki Ito; Ritsu Doan, Tanaka, Kamada, Nakamura; Junyo Ito, Maeda; Ueda.
Conclusão: partida decisiva que aponta se o Brasil segue como candidato consistente ao título ou se será surpreendido por um Japão em ascensão. A leitura tática feita por Ancelotti promete ser posta à prova — e as respostas virão no campo, em Houston.
Folha



