
O Botafogo de Futebol e Regatas conquistou sua 10ª Taça Rio, a terceira nos últimos quatro anos. Um título que entra para a galeria, levanta troféu, gera foto… mas que também levanta uma pergunta inevitável: o que exatamente vale hoje a Taça Rio?
A verdade é que o Botafogo entrou em campo porque precisava. Nada mais do que isso. Não havia clima de decisão, nem peso histórico. Era mais uma etapa de um Campeonato Carioca que, ano após ano, parece cada vez mais distante da realidade dos clubes grandes.
E naquela tarde chuvosa no Rio de Janeiro, o jogo ganhou contornos bem conhecidos do futebol suburbano. Algo que o carioca costuma resumir em uma expressão curiosa: “Moda Bangu” — quando as coisas acontecem meio sem critério, meio no improviso.
Nem mesmo a arbitragem escapou da sensação de desorganização. O árbitro Yuri Elino Ferreira da Cruz parece ter entrado em campo sem o cartão vermelho no bolso.
O Bangu Atlético Clube pouco produziu ofensivamente, mas contou com a complacência da arbitragem. Antes dos 15 minutos, duas expulsões eram plenamente possíveis. Primeiro em uma entrada violenta de Pedro China, depois com Kadu, que derrubou Arthur Cabral sendo o último homem. Em qualquer manual básico de arbitragem, seria vermelho. Ficou no amarelo.
Quando o Botafogo resolveu jogar
Mesmo sem grande intensidade, bastou ao Botafogo jogar o mínimo necessário.
Aos 16 minutos, Edenílson marcou seu primeiro gol com a camisa alvinegra, após assistência de Arthur Cabral na entrada da área.
No segundo tempo, o Fogão ampliou quando quis. Aos 50 minutos, Villalba recebeu aberto pela direita um lançamento preciso de Tuco Correa, cruzou na área e Caio Valle chegou batendo de esquerda para vencer o goleiro Bruno, um dos destaques do Carioca de 2026.
Sete minutos depois, Tuco voltou a aparecer. Driblou dois marcadores e sofreu pênalti após toque de Kauã Guilherme. O próprio argentino bateu. Bola no canto esquerdo, goleiro no direito. Como diziam os narradores antigos: não apareceu nem na foto.
Veio então o tempo técnico para reidratação, e curiosamente quem esfriou foi o Botafogo. O Bangu voltou mais ligado e, aos 73 minutos, Luizinho diminuiu, dando números finais à partida.
O momento mais simbólico da tarde
Se a competição em si não empolga tanto, a comemoração trouxe um gesto bonito.
Na hora de levantar o troféu, lideranças do elenco como Alex Telles e Alexander Barboza entregaram a taça para o jovem zagueiro Justino, de 19 anos. Uma forma de marcar o primeiro título profissional do defensor revelado no clube.
Para o garoto, certamente não foi só mais uma taça.
O que realmente importa agora
A conquista da Taça Rio ainda dá ao Botafogo o direito de disputar a Copa Sul-Sudeste de 2027, caso o clube não esteja envolvido em competições da Conmebol.
Mas a realidade é que o calendário alvinegro já aponta para desafios muito maiores.
O foco agora está no jogo de volta da Pré-Libertadores, contra o Barcelona Sporting Club. Uma vitória simples coloca o Botafogo na fase de grupos da principal competição do continente.
E no sábado, às 20h30, o Fogão encara o Clube de Regatas do Flamengo no Estádio Nilton Santos, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Ali sim, começam os jogos que realmente dizem alguma coisa sobre a temporada.
Porque, no fim das contas, a Taça Rio virou quase isso: um troféu de passagem em um estadual que já não acompanha o tamanho de seus clubes.
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✍️ Resenha do Bairro
Foto destaque: Atletas do Botafogo erguem a Taça Rio (Vitor Silva/Filckr/Botafogo FR)




